História

Saiba mais sobre a história de Embu das Artes!
*As informações abaixo foram coletadas através dos livros "Embu: De Aldeia de M’Boy a Terra das Artes", de Raquel Trindade, e "Embu: Terra das Artes e Berço de Tradições", de M. F. Jordão.
Embu das Artes é uma das mais antigas cidades brasileiras, com mais de 450 anos. Desde sua fundação até os dias atuais, a história do município é marcada por intensa atividade cultural e artística, com uma rica e importante herança de seus antepassados.

Em seu livro Embu: De Aldeia M’boy a Terra das Artes, a artista Raquel Trindade definiu a identidade artística do município:
 
Embu, Terra das Artes, é um município rico em vários aspectos. Tem história, tradição, lendas e muita arte, tudo ligado à formação do povo paulista. Tem inúmeros artistas que recriam o passado e moldam o futuro nos mais diversos materiais; e tem ainda uma beleza natural e rara entre os municípios da Região Metropolitana de São Paulo. Possui as mais incríveis galerias de arte, que exibem trabalhos plásticos de várias regiões do Brasil, oferecendo um painel único da diversidade cultural do País. É uma cidade que abriga moradores vindos de todas as regiões e de todas as partes do mundo em busca de sua paisagem ainda verde e bucólica, seu clima ameno e sua tradição cultural e artística. A partir de 1950, artistas locais e de diversas regiões do País e do exterior fizeram de Embu a sua terra: a Terra das Artes (TRINDADE, 2010, p. 9).

Fundação Histórica
No livro Embu: terra de artes e berço de tradições, o autor Moacyr de Faria Jordão escreveu:

Escrever sobre a História de Embu é escrever sobre a própria história da Companhia de Jesus na América Meridional, uma vez que da atuação dessa célebre Ordem fundada por Inácio de Loiola, da Capitania de São Vicente de Martim Afonso de Sousa, foi que surgiu o primitivo Embu (JORDÃO, 2004, p.9).
 
De fato, a origem Embu das Artes está fortemente interligada a Companhia de Jesus. Sua fundação histórica deu-se em 1554, quando os primeiros missionários jesuítas chegaram à região, acompanhados de índios Guaranis, apelidados de Carijós, trazidos do Paraguai por assimilarem e aceitarem com facilidade a catequização jesuíta (TRINDADE, 2010, p. 19).
 
Raquel Trindade, em seu livro, continua:

Quando os primeiros jesuítas chegaram à aldeia de M’Boy (na época, conhecida como Bohi), em 1554, instalaram a primitiva Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Mais tarde, em janeiro de 1624, Fernão Dias e Catarina Camacha fariam escritura de doação de sua fazenda M’Boy, pelo tabelião Simão Borges Cerqueira. Parte dessas terras foi passada para Fernão Dias Paes, “o Moço”, que era sobrinho do bandeirante Fernão Dias, “O Velho Caçador de Esmeraldas” (TRINDADE, 2010, p. 20).
 
Quando Fernão Dias morreu, sua esposa Catarina Camacha ratificou essa doação à Companhia de Jesus, sob a condição de que os Jesuítas devotassem as terras à Nossa Senhora do Rosário, que cuidassem e aumentassem a Igreja, e que iniciassem um trabalho de evangelização dos índios (TRINDADE, 2010, p. 21).
 
Foi das mãos dos jesuítas e dos índios Carijós que surgiram os primeiros traços artísticos que mais tarde se tornariam os alicerces da identidade da cidade: na arquitetura da igreja, na escultura dos santos de madeira, nas pinturas e nos entalhamentos (TRINDADE, 2010, p. 37).

Em 1759, depois de muitos conflitos com os paulistas, os jesuítas foram expulsos do Brasil por Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal, que tinha como objetivo tirar o domínio da Companhia de Jesus sobre as aldeias e os índios. Pombal também ordenou que os documentos e quaisquer outras espécies de registros fossem destruídos, e todos os bens dos jesuítas foram tomados.

De acordo com Raquel Trindade (2010, p. 38), “com a expulsão dos jesuítas do Brasil, o aldeamento de M’Boy entrou em declínio, com os índios mestiçando-se com moradores da localidade ou mudando-se para outros locais”.

Nos anos seguintes, o vilarejo entrou num período de retração que permaneceu até o final do século XIX, quando a Cúria Diocesana de São Paulo contratou o engenheiro Henrique Deccolini para demarcação do patrimônio da região, o qual, reconhecendo os valores artísticos da capela e do convento, realizou as primeiras obras de apoio à conservação das construções (TRINDADE, 2010, p. 39).

No final da década de 30, o Conjunto Jesuítico, que compreende a Igreja e a residência dos jesuítas, foi considerado Patrimônio Nacional e restaurado pelo SPHAN, atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Atualmente, a igreja é o Museu de Arte Sacra dos Jesuítas.

A vocação artística de Embu das Artes teve início com a Companhia de Jesus, e se consolidou a partir de 1920, quando Embu, próximo à cidade de São Paulo, recebeu migrantes vindos de diversas partes do Brasil e de outros países, que aqui encontraram trabalho e tradições semelhantes ao da terra natal.

De acordo com Raquel Trindade (2010, p. 34), “esses novos moradores começaram, então, a se dedicar às produções artísticas e exteriorizaram, cada um, o seu potencial criativo, por meio de pintura, escultura, modelagem, entalhes em madeira, música, literatura e bordado, demonstrando a capacidade criativa e de adaptação de um povo singular”.

Um dos grandes responsáveis pela consolidação da vocação histórica para as artes de Embu foi o artista Cássio M’Boy, que se mudou para a cidade em 1920. Em 1937, Cássio ganhou o 1° Grande Prêmio na Exposição Internacional das Artes Técnicas, em Paris. Ele também foi professor de vários outros artistas que se fixaram em Embu, se tornando um dos precursores da fama da cidade de Terra das Artes (TRINDADE, 2010, p. 80).

Em 1969, foi criado o Conselho de Turismo e, em 31 de janeiro, fundada a Feira de Artes e Artesanato. A artista Raquel Trindade, no livro Embu: de Aldeia de M’Boy a Terra das Artes, conta como foi esse surgimento:

O surgimento da hoje tradicional Feira de Artes e Artesanato, em 1969, deve-se em grande medida a esses migrantes e imigrantes pioneiros que, totalmente integrados à cultura local, transformaram Embu num celeiro de artistas, hoje conhecidos em todo o País e internacionalmente, chamando atenção, ainda, de imigrantes vindos de outras partes do mundo (Argentina, Uruguai, Bolívia, Chile e Grécia, por exemplo) e que se juntaram à cidade, adotando Embu como sua cidade-mãe. Esse “caldo” de culturas explica a grande riqueza e vigor artístico da cidade (TRINDADE, 2010, p. 36).

De fato, o movimento artístico iniciado na década de 1920 foi decisivo para a transformação da pacata aldeia de M’Boy na Estância Turística de Embu das Artes. Com o crescimento e a popularização da Feira de Artes e Artesanato, a cidade se transformou em um importante destino turístico do estado de São Paulo que recebe atualmente cerca de 20 mil turistas por fim de semana.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

JORDÃO, M.F. Embu: terra das artes e berço de tradições. São Paulo: Noovha América, 2004;

TRINDADE, Raquel. Embu: De Aldeia de M’Boy a Terra das Artes. São Paulo: Noovha América, 2010.

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