De M’Boy a Embu das Artes

Saiba como a aldeia de M’Boy se transformou em Embu das Artes:
*As informações abaixo foram coletadas através dos livros "Embu: De Aldeia de M’Boy a Terra das Artes", de Raquel Trindade, e "Embu: Terra das Artes e Berço de Tradições", de M. F. Jordão.
Muito se diz sobre as origens do nome M’Boy. De acordo com Moacyr de Faria Jordão, no livro Embu: terra de artes e berço de tradições:

Das próprias circunstâncias que envolveram o nascimento da primitiva Aldeia, podemos tirar a origem do nome “M’Boy”, invocando Teodoro Sampaio em “O Tupi na Língua Nacional”. Para esse autor, “MAIR” era o apelido dos franceses entre os tupis do Brasil. Os guaranis do Paraguai (Carijós) chamavam os espanhóis de “MBAI”. Os dois vocábulos mair e mbai são formas contratas de mbai-ira que exprime o – apertado, o solitário, o que vive distante. De mbai-ira, procedem mbaira, maira, mair, MBAI que era o apelido dado pelos indígenas aos franceses e espanhóis, não só por virem de longe, como porque equiparavam pela sua superioridade, aos seus feiticeiros, chamados pajés ou caraíbas, os quais levavam a vida solitária no recesso das matas, nas cavernas das montanhas distantes (JORDÃO, 2004, p. 61).

Com o tempo MBAI foi se transformando em MBOI, surgindo nos documentos históricos de São Paulo com as mais variadas grafias (JORDÃO, 2004, p. 62).

Raquel Trindade, no livro Embu: de Aldeia de M’Boy a Terra das Artes (2010, p. 22), afirma que “Câmara Cascudo, em seu Dicionário de folclore, falando da cobra boiúna, diz que M’Boy significa cobra”.

Este significado é culturalmente mais difundido na cidade, principalmente pela Lenda da Fundação da Aldeia, que conta como o índio que salvou o Padre Belchior de Pontes morreu picado e envolvido por uma grande cobra quando saiu para buscar água ao padre desacordado. Segundo a lenda, foi sobre a sepultura do índio que o padre Belchior ergueu a capela de Nossa Senhora do Rosário, onde atualmente encontra-se o Museu de Arte Sacra. A cobra que matou o índio teria dado o nome à aldeia (JORDÃO, 2004, p.131).

Independentemente das teorias sobre a origem do nome, a criação do distrito denominado M’Boy, pertencente ao município de Itapecerica, deu-se pela Lei n° 93, de 21 de abril de 1880.

Pelo decreto estadual n° 9.775, de 30 de novembro de 1938, M’Boy passou a denominar-se Embu (TRINDADE, 2010, p. 18).

Em 1958 foi criada a Associação Cívica de Embu, que de acordo com Raquel Trindade (2010, p. 29), trabalhava “para que Embu se tornasse uma cidade independente, com direito a governo próprio, e se desligasse de Itapecerica”.

Em 21 de novembro de 1958 é realizado um plebiscito, e o “sim” à emancipação é vencedor. Em 18 de fevereiro de 1959, é criado o município de Embu, desmembrado de Itapecerica e Cotia (TRINDADE, 2010, p. 29).

Em 31 de janeiro de 1969 foi fundada a Feira de Artes e Artesanato de Embu, idealizada pelo escultor Claudionor Assis Dias (Assis de Embu), há quase cinco décadas é o cartão-postal do município, e conseguiu se transformar em um dos mais importantes eventos do gênero no País. (TRINDADE, 2010, p. 61).

A artista Raquel Trindade explica o conceito da Feira:

A tradicional Feira de Artes e Artesanato de Embu conta com uma grande variedade de produtos artesanais e de obras de arte e ainda com diversas lojas de artesanato, antiquários, lojas de móveis rústicos, ateliês, galerias de arte e restaurantes, além de diversificada gastronomia (TRINDADE, 2010, p. 61).

Foi devido à Feira de Artes e Artesanato, e ao talento dos artistas instalados na cidade, que Embu ganhou fama de terra das artes, e passou a receber todos os fins de semana uma significativa quantidade de turistas do Brasil e do mundo.

Embu foi elevada à categoria de Estância Turística pela Lei Estadual n° 2.161, de 12 de novembro de 1979 (TRINDADE, 2010, p. 18). A vocação para a arte e o artesanato já estava impregnada na identidade da cidade. Devido à fama nacional e internacional de Terra das Artes, Embu já era conhecida como “Embu das Artes” por muitos turistas e até mesmo munícipes. Mas foi só anos depois que o nome se tornou oficial.

Em 2009, o então prefeito de Embu, Chico Brito, deu inicio ao processo para que a cidade fosse chamada de Embu das Artes. O principal objetivo era distinguir o nome do município com o da cidade vizinha Embu-guaçu. Depois de articulações entre o prefeito, a Câmara Municipal e o Tribunal Eleitoral Regional de São Paulo, em 1° de maio de 2011 houve um plebiscito para decidir se “das Artes” seria oficialmente integrado ao nome do município.

Desta forma, com mais de 74 mil votos a favor, a população de Embu decidiu assumir a identidade da cidade mundialmente reconhecida: Embu das Artes. Em 6 desetembro de 2011, o então governador Geraldo Alckmin oficializou o novo nome do município, conforme a Lei n° 14.5375.

De acordo com a revista de prestação de contas do Governo da Cidade de Embu das Artes:

Um movimento amplamente democrático que começou no ano de 2009, a partir de uma grande comissão que envolveu todos os segmentos sociais organizados e o Tribunal Regional Eleitoral, levou às urnas, em 1° de maio, 171.524 eleitores, destes 74.286 a favor da oficialização do nome, contra os 37.463 (33,52%) que votaram não. O plebiscito oficializou o nome de Embu das Artes, garantiu a integração de uma cidade dividida por uma rodovia, acabou com a confusão com cidades como Embu-Guaçu e garantiu a troca das placas de sinalização da BR 116 que, agora, indicam Embu das Artes, facilitando a vida dos turistas. O plebiscito de Embu das Artes deu à cidade uma de suas maiores visibilidades na mídia em uma pauta positiva, jornalística, sem qualquer relação ou custo de propaganda. Só em 2011, o assunto rendeu a exposição da estância turística em mais de 80 sites, 28 minutos de TV e mais de 47 minutos em rádio. Nas redes sociais, o twitter registrou 650 menções a respeito do plebiscito, replicadas para milhões de pessoas.

A oficialização do nome Embu das Artes consolidou a posição de destaque do município entre as 29 Estâncias Turísticas do Estado de São Paulo. Hoje, Embu das Artes é uma marca forte, com grande potencial turístico, principalmente por conta de seu patrimônio histórico e cultural.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

JORDÃO, M.F. Embu: terra das artes e berço de tradições. São Paulo: Noovha América, 2004;

TRINDADE, Raquel. Embu: De Aldeia de M’Boy a Terra das Artes. São Paulo: Noovha América, 2010.

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